A tão sonhada transposição das águas do Rio São Francisco para o açude Engenheiro Avidos (Boqueirão de Piranhas) vai trazer alívio para a região de Cajazeiras que é abastecida pelo reservatório. Porém, ao mesmo tempo poderá acarretar grandes problemas. Isso porque, segundo o engenheiro Alexandre Costa, a estrutura do açude não suporta mais grandes cargas de água.  Portanto, enchê-lo será um perigo, alerta o engenheiro.

Alexandre vai representar as classes empresarial e produtiva da região no Seminário de Gestão Estratégica das Águas que acontece nesta quarta-feira (15) e quinta-feira (16) em Campina Grande. Na ocasião, o engenheiro cajazeirense pretende discutir também as obras da transposição que estão inacabadas e a necessidade de reparos em mananciais para receber as águas.

Segundo Alexandre Costa, Boqueirão apresenta problemas principalmente nas barragens. Por causa disso, o reservatório não tem condições de receber nem 30% da sua capacidade máxima de água, que são 255 milhões de m³, e terá que escoar rapidamente grande parte do que receber da transposição.

– O momento de fazer a intervenção era quando o manancial estava seco. Passou-se isso. Depois de dois séculos, as águas do São Francisco vão chegar e Boqueirão não vai suportar essas  novas águas. A água que entrar vai ter que sair – disse o engenheiro.

Cobrança pela conclusão do Eixo Norte

No Seminário de Gestão Estratégica das Águas, Alexandre Costa pretende saber das autoridades por que algumas obras essenciais para que a transposição chegue à região de Cajazeiras continuam paradas. Muitas delas, segundo ele, é apenas por questões burocráticas como abertura de processo licitatório para substituir empresas. O complemento do canal da barragem de Caiçara para Boqueirão é uma dessas obras.

– Nossa grande preocupação é a questão do complemento do canal da barragem de Caiçara para Engenheiro Avidos. É uma obra monumental, e para a conclusão dessa obra, especificamente para o município de Cajazeiras, falta esse ramal. Nós não entendemos por que razão essa obra não foi licitada, então a nossa presença nesse seminário é cobrar dos gestores qual o posicionamento sobre a continuidade desse novo canal.

DIÁRIO DO SERTÃO