Os policiais civis do Espírito Santo paralisaram as atividades ao meio-dia desta quarta-feira (8), em protesto por conta da morte de um investigador em Colatina, Noroeste do estado, nesta terça-feira (7). Eles saíram em passeata até o quartel da Polícia Militar em Maruípe, em Vitória, e de lá seguiram para o velório do colega.

A paralisação, que também apoia o movimento dos parentes de policiais militares, vai acabar à meia-noite desta quinta-feira (9), segundo o sindicato da Polícia Civil. Durante a paralisação, só serão feitos atendimentos de urgência.

O Sindicato de Policiais Civis diz que foi decidida uma paralisação de um dia e que não foi deflagrada greve. Amanhã, às 13h, será feita uma assembleia para deliberar o que a categoria fará diante do caos no estado.

A Polícia Civil, por meio do chefe de Polícia, delegado Guilherme Daré, informou que só uma parte da categoria aderiu a esta paralisação. “Esse movimento de paralisação é isolado e está sendo feito apenas por uma associação. Não concordamos com ele e reiteramos o nosso apoio irrestrito e o nosso compromisso com o governo do estado, com a Secretaria de Estado de Segurança Pública e Defesa Social e a sociedade”, destacou.

Além disso, Guilherme Daré aproveitou para lamentar a morte do investigador. “A Polícia Civil está de luto pela perda de um excelente policial e querido por todos. Lamentamos profundamente essa perda e declaramos o nosso apoio aos parentes e aos amigos do policial”, ressaltou.

Entenda a crise na segurança no ES
– Os PMs reivindicam aumento nos salários, pagamento de benefícios e adicionais e criticam as más condições de trabalho.

– Como os PMs não podem fazer greve, as famílias foram para a frente dos batalhões para impedir a saída das viaturas policiais.

– O bloqueio começou no sábado (4) e atinge a Grande Vitória e cidades como Linhares, Aracruz, Colatina, Cachoeiro de Itapemirim e Piúma.

– Desde então, o Espírito Santo registrou 90 mortes violentas, segundo o sindicato da Polícia Civil.

– Escolas, postos de saúde e parte do comércio estão fechados desde segunda-feira (6), quando ônibus também pararam de circular. Os coletivos voltaram a rodar na manhã desta terça (7), mas foram recolhidos novamente às 19h. Na quarta-feira (8), o Sindicato informou que não haverá circulação.

– 1.000 homens das Forças Armadas fazem policiamento na Grande Vitória desde segunda, e 200 integrantes da Força Nacional começam a atuar nesta terça.

Investigador era conhecido como Marcelinho (Foto: Divulgação/Whatsapp)

Morto em assalto
O corpo do investigador Mario Marcelo de Albuquerque vai ser velado no cemitério Jardim da Paz, na Serra, Grande Vitória. O enterro está previsto para as 15h.

Segundo a Delegacia de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP), o policial foi atingido por um criminoso ao intervir no assalto a um motociclista. Ninguém foi preso ainda.

O investigador Marcelinho, como era conhecido, estava de carro com um colega quando, na altura da Curva Mario Cassani, na BR-259, abordaram criminosos que assaltavam um motociclista.

Houve troca de tiros, e o investigador foi baleado na barriga. Os assaltantes conseguiram fugir.

Marcelinho foi levado para o Hospital São Bernardo, em Colatina, mas não resistiu e morreu. O investigador deixa esposa e dois filhos.

G1